Intercambio das Comunidades Impactadas pela Mineração acontece no Piauí

POR: CPT – PI

A CPT – Comissão Pastoral da Terra-Regional Piauí em parceria com a Cáritas Diocesana de São Raimundo Nonato e o MAM – Movimento Pela Soberania Popular na Mineração realizaram nos dias 23 e 24 de fevereiro o Intercambio das Comunidades Impactadas pela Mineração no Piauí. Um intercambio de saberes entre comunidades impactadas de São Raimundo Nonato e Picos devido as semelhanças de experiências vividas por estas com a chegada da mineração na região.

Investimentos na área da mineração, com o apoio do governo, tem sido constantes no estado do Piauí desde 2007. Esse crescimento tem impactado de forma negativa diversas comunidades que “ousam” estar localizadas onde a mineração será implantada.

No município de Picos as comunidades são acompanhadas diretamente pela CPT-PI e em S. Raimundo Nonato pela Cáritas, a partir dessa parceria a ideia do intercambio veio como forma de juntas, as comunidades, encontrem alternativas de enfrentamento à Mineração no estado e fortalecer a permanência das mesmas em seus territórios.

Os participantes visitaram as comunidades de Xique-Xique município de São Lourenço e Cova da Tia, município de Bomfim. O MAM assessorou o intercambio sobre os aspectos da semelhança entre as comunidades e os direitos adquiridos e as possibilidades de organização e resistência. Cerca de 150 pessoas entre representantes das comunidades impactadas de Pìcos e de S. Raimundo Nonato de sindicatos, associações e professores participaram do intercambio.

Através das formações e da troca de experiências no intercambio os participantes compreenderam que mesmo as comunidades estando em territórios diferentes as semelhanças entre elas são comuns, vimos que o que muda só são os personagens e comunidades, pois os conflitos, medos, incertezas que hoje as pessoas das comunidades de São Raimundo Nonato enfrentam são os mesmos já enfrentados e vividas pelas nossas comunidades em Picos (Sandecleia Modesto- moradora da Comunidade Lagoa do Ovo). Outro ponto que vale resaltar é a animação que o intercambio trouxe às comunidades, um revigoramento da luta pela terra e por direitos. O intercambio possibilitou o fortalecimento de nossas lutas … que mesmo diante de grandes desafios é possível lutarmos juntos pelos nossos direitos, pelas nossas terras, pois nossas terras não tem preços, tem valores, disse ainda Sandecleia.

Essa troca de convivência e realidade aproxima e acrescenta, sobretudo aos que não estão diretamente impactados como é o caso da professora Nazaré Viana que diz em seu depoimento que Apesar de ser professora e conhecer os direitos e um pouco da constituição, ter uma base de conhecimento, não me atentei aos riscos que as comunidades estavam correndo, mas agora após essa formação vejo o perigo claramente e vejo que posso fazer alguma coisa.

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