II Seminário para Ecônomos de (Arqui)Dioceses debate desafios econômicos, pastorais e tributários da Igreja no Brasil

Entre os dias 19 e 21 de maio de 2026, aconteceu em Brasília-DF, no Auditório São João XXIII, da Casa Dom Luciano, o II Seminário para Ecônomos de (Arqui)Dioceses, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O encontro reuniu ecônomos, contadores, assessores jurídicos e agentes da administração eclesial de diversas dioceses do país para refletir sobre os desafios da gestão da Igreja em tempos de mudanças culturais, econômicas e legislativas.

A Diocese de Picos-PI participou do seminário com a presença do Pe. Marcos Vinícius Rocha Araújo, da secretária da Cúria Diocesana, Flávia Arrais, e do contador da Diocese, Glaudiano Marques.

Com o tema “Gestão Eclesial em tempos de mudanças: desafios econômicos, pastorais e éticos”, o seminário aborda questões ligadas à governança eclesial, transparência administrativa, sustentabilidade financeira, compliance, planejamento estratégico e os impactos da Reforma Tributária sobre a missão da Igreja e o Terceiro Setor.

As conferências destacaram que a boa administração dos bens temporais não é apenas uma questão técnica, mas uma dimensão concreta do cuidado pastoral e da responsabilidade evangelizadora.

Em um contexto de secularização crescente e de redução da confiança institucional, os conferencistas enfatizaram que a transparência não enfraquece a Igreja; ao contrário, reforça seu testemunho e sua comunhão com o povo de Deus.

Os palestrantes alertaram que os desafios econômicos atuais não podem ser enfrentados com instrumentos do passado, sobretudo diante das rápidas transformações culturais, digitais e tributárias do país.

Um dos momentos mais relevantes do seminário foi a conferência conduzida pelo Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giambattista Diquattro, que refletiu sobre os desafios econômicos e pastorais da Igreja no contexto atual.

Durante sua exposição, destacou a importância da gestão integrada diocesana, da governança participativa e da corresponsabilidade na administração dos bens eclesiásticos. O representante do Santo Padre, o Papa Leão XIV, recordou que o ecônomo é chamado a ser “construtor de comunhão”, fortalecendo a relação entre bispo, cúria e paróquias. O Núncio enfatizou ainda que toda decisão econômica possui também uma dimensão pastoral e espiritual. Inspirando-se na parábola dos talentos, recordou que a Igreja deve administrar seus bens “à altura do Evangelho”, evitando tanto a negligência quanto decisões precipitadas motivadas apenas por urgências financeiras.

Outro eixo central do encontro é a Reforma Tributária brasileira e seus efeitos sobre as instituições religiosas e o Terceiro Setor.

As palestras destacaram que, embora a imunidade tributária das entidades religiosas tenha sido mantida, o novo cenário exige maior rigor contábil, formalização documental e controle administrativo. Especialistas alertaram que a crescente complexidade tributária poderá expor fragilidades operacionais em dioceses e paróquias que ainda não possuem processos organizados.

Mais do que um evento técnico, o II Seminário para Ecônomos de (Arqui)Dioceses se consolida como um importante espaço de reflexão pastoral e administrativa para a Igreja no Brasil.

Diante das mudanças econômicas, culturais e legais que desafiam as instituições religiosas, a formação permanente dos responsáveis pela gestão eclesial torna-se indispensável para garantir transparência, sustentabilidade e fidelidade à missão evangelizadora da Igreja.

A participação da Diocese de Picos no encontro demonstra o compromisso da Igreja Particular com uma administração responsável, ética e alinhada às exigências do tempo presente, sem perder de vista sua missão essencial de evangelizar e servir.

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