Moradores da comunidade Serra dos Pereiros, em Caldeirão Grande do Piauí, realizaram na manhã dessa sexta-feira, (09/10), na Igreja Católica da comunidade, uma reunião com o objetivo de obter esclarecimentos e discutir os direitos de propriedade das famílias que residem na área de implantação dos parques para a geração de energia eólica na região.
Além dos moradores, a reunião contou com a participação de representantes da empresa Chapada do Piauí, ContourGlobal, do Bispo de Picos, do prefeito de Caldeirão Grande do Piauí, da Cáritas Diocesana e Regional, do Pároco da Paróquia São Cristovão, religiosas, advogado, outras autoridades municipais e empresas terceirizadas.
Sobre a mediação do advogado Dr. Agrimar Rodrigues de Araújo, durante a reunião, foi colocada muitas demandas, inclusive, queixas dos moradores que pelas colocações mostraram indignação pela forma com a qual são abordados pelos representantes da ContourGloba (empresa desenvolvedora do projeto). “Já me sinto honrado quando o povo se une e se reúne para lutar pelos seus direitos, e é isso que estamos fazendo aqui, reivindicando os nossos direitos. Para nós, esse momento já é uma vitória, e agradecemos a todos que estão conosco nesta luta”, pontua o professor Djalma.
Diante das colocações das famílias o engenheiro elétrico e gerente de obras da Empresa Chapada do Piauí (consórcio formado pelas empresas Contour Global e CHESF ), Rodrigo Ferrari Errera, afirmou ter havido falha de comunicação entre empresa que fez as negociações de arrendamentos com os proprietários de terras na região desde 2009 e os moradores “Admito que a nossa empresa precisa retomar e discutir com os moradores as formas de negociações. Sem dúvida, a comunicação é o grande desafio da humanidade; então, sempre podemos e vamos sim aprimorar nossa comunicação com os moradores e isso vamos melhorar humanizando mais o nosso relacionamento com a comunidade”, disse. Com relação ao direito de propriedade que eventualmente a empresa vai precisar ocupar, Rodrigo Errara disse que todas as propriedades arrendadas estão devidamente legalizadas e acrescentou mais “Este é um projeto de 132 maquinas, com geradores de mais de 250 MW de capacidade, portanto, a nossa intenção é trazermos o melhor para as famílias”. O engenheiro disse mais: “Durante a reunião procuramos enfatizar sobre os problemas com os moradores que estão contra o projeto e que se sentem prejudicados pelas obras, porém, tivemos também várias manifestações a favor do projeto e testemunhos de pessoas que melhoraram sua condição de vida com a chegada das empresas na região”.
O projeto deverá entrar efetivamente em operação a partir de janeiro de 2016. Para o prefeito de Caldeirão Grande, João Vianey, o município quer que o projeto continue em frente, mas respeitando os direitos dos moradores “Há certa divergência entre as famílias e a empresa, mas acredito no bom senso das famílias e a sensibilização por parte da empresa para que no final tudo ocorra para o bem e o desenvolvimento de todos”, enfatiza.
Representando a comissão dos pequenos produtores e proprietários da região, o mediador do encontro, advogado Agrimar Rodrigues, avaliou o momento como positivo. “A análise mais importante que faço, foi à aproximação da empresa e da comunidade e os esclarecimentos que foram prestados”. Do ponto de vista da garantia dos direitos das famílias, Dr. Agrimar disse sair da reunião com a convicção de que os direitos de cada uma a partir de agora serão melhores assegurados “Não tenho dúvidas que depois desses esclarecimentos sobre o direito de propriedade e de posse, ficou claro para as pessoas que elas não são obrigadas aderirem ao projeto, as que quiserem arrendar suas terras, farão, e as que não querem, não são obrigadas. Isso ficou claro para elas e mais ainda para a empresa”, afirma. E disse mais: “Se existe algo que ambas as partes tem que encontrar é um ponto de equilíbrio entre o desenvolvimento e o respeito à dignidade das pessoas, lembrando que o progresso é importante, mas o valor da dignidade humana está acima”.
Para o bispo de Picos, Dom Plínio José Luz da Silva, o contato com as famílias foi mais uma experiência adquirida “Esse momento foi uma experiência a mais que adquirimos com o povo. Na verdade, existem muitos problemas, sofrimentos, indecisões e dúvidas por parte dos moradores o que vai de encontro com aquilo que nós colocamos na programação do Jubileu de ir ao encontro das pessoas, para descobrirmos as suas alegrias e sofrimento como o Concílio Vaticano coloca, ver a alegria, as tristezas e esperanças do nosso povo”. Esse, já foi o terceiro encontro do Bispo de Picos com as famílias de Serra dos Pereiros “Essas três vindas a Serra dos Pereiros foi um aprendizado, a gente percebe que as pessoas não são mais ingênuas, elas sabem do que é seu e reivindicam os seus direitos. Sabemos que é uma decisão do governo de implantar este projeto que é uma evolução, o que não podemos é aceitar o que prejudica o nosso povo sem questiona-los”, pontua.
Para dar acompanhamento as negociações, no final da reunião foi formada uma comissão composta por dois representantes da Igreja Católica, Prefeitura municipal, Empresa Chapada do Piauí, Cáritas Diocesana e Regional, CRB e do Conselho Administrativo da comunidade. Além da comissão, Dom Plínio sugeriu que a empresa ContourGlobal implante um escritório para atendimento na própria comunidade para que as pessoas que estiveram com problemas ou insatisfação possam procura-lo para obter os esclarecimentos.




